Antonio Lavareda fala sobre Reforma Eleitoral e uso da Internet nas campanhas

Lavareda/Foto Renata Castelo Branco


O cientista político Antonio Lavareda (MCI-Ipespe) acompanha a Reforma Eleitoral (votações no Senado e na Câmara Federal) esperançoso. Segundo ele, essa votação no Senado com vista a liberação da Internet nas próximas eleições foi um passo positivo. “É lógico que ainda precisa ser acompanhada pela Câmara porque, para que vigore no ano que vem, ela tem ser levada a sanção do presidente Lula até dois de outubro.
A internet, no mundo todo, a cada dia, tem assumido um papel mais importante nas disputas eleitorais. Começa, obviamente, nos Estados Unidos ,nas eleições de 2000, foi o momento em que a internet teve um papel mais destacado. Chamou a atenção agora, no ano passado, com a estratégia desenvolvida pela campanha do presidente Obama, que fez dela um elemento central no sucesso, na vitória, à medida que obteve uma convergência com as outras mídias, então, combinação de internet e televisão, internet e jornais e, mesmo a internet ajudando a coordenar, a organizar a realização de muitas outras ações offline, visitas porta a porta, reuniões e eventos, tudo isso coordenado através do meio”, explicou Lavareda.
Lavareda disse ainda que a mobilização de novos eleitores, também, foi um aspecto onde a internet teve um papel fundamental na campanha de Obama. “Outro aspecto que também foi permitido agora no Brasil, a arrecadação. Os Democratas (EUA) cadastraram mais de três milhões de doadores através do meio internet e aí conseguiram contribuições de pequenas quantias, pequenas quantias no padrão americano, não é, coisa de 75, 80 dólares cada um.
E aqui no Brasil, há um espaço importante, grande, para utilização, para dinamização - porque ela já foi utilizada em outros pleitos - do uso da internet, que vai ajudar a baratear as campanhas e vai permitir mobilizar, motivar, sobretudo o eleitorado mais jovem, que é o mais afastado da política e que se decepciona e frustra mais com a política e os políticos”, comentou o especialista em pesquisas e marketing político.
Ele lembra que essas ferramentas todas, de um mundo relativamente novo, Youtube, Twitter, Blogs, Podcasts, Flickers, Facebook, esses sites de relacionamento , só vão ajudar a disseminar informações e a tornar mais democrático nosso processo eleitoral. “O número de brasileiros, que já tem acesso a internet, divulgado agora em julho, no estudo Ibope Nielsen é expressivo: são 64,8 milhões de pessoas que utilizam a internet nas suas residências ou no trabalho, ou nas escolas, nas lan houses, nas bibliotecas, nos tele centros. Número que cresceu bastante, se a gente lembra que dois anos atrás eram 40 milhões apenas, cresceu mais de 50%.

Então, em suma, passo positivo, tomara que a Câmara Federal acompanhe essa posição dos senadores e isso vai ser uma excelente notícia, a vedação de proibições da internet, ou seja, o estabelecimento da liberdade nesse veículo – e os senadores foram coerentes, até porque é muito difícil você efetivamente restringir a utilização do meio no processo eleitoral. Se isso viesse a ocorrer só aumentaria o grau de judicialização das nossas eleições, que é muito elevado. Judicialização, como sabemos, corresponde à maior interferência dos juízes eleitorais, dos tribunais regionais eleitorais, dando a última palavra em momentos contraditórios nas campanhas eleitorais”, analisa Lavareda.

Para Lavareda, devemos apostar e esperar agora que essa diminuição de restrições, ou permissão maior para o exercício da crítica, do contraditório nas campanhas se estenda também para os outros veículos. ”A nossa legislação eleitoral é exageradamente restritiva. Primeiro porque ela tem uma obsessão por campanhas curtas, a um período de 50, 45 dias na televisão e no rádio e qualquer tentativa de afirmar a candidatura em período anterior, acarreta punições pelos tribunais eleitorais, alvo de ações pelo Ministério Público.

E também pela proibição da crítica, do contraditório, ou seja, é uma vedação de que se exercite a critica, se explicite as diferenças entre os candidatos e os projetos durante a campanha eleitoral. O que faz as nossas eleições menos democráticas do que poderiam e deveriam ser”, lamenta. Para quem acha que as campanhas são intermináveis, o cientista político ainda analisa que isso se dá porque elas se concentram num período muito curto.” Os programas eleitorais de televisão com veiculações excessivas são concentradas em apenas 45 dias. Se durassem mais os eleitores não suportariam. Deveriam, portanto, ter vida longa, mas sem grandes excessos”, alerta.
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