PE tem 1º projeto de piscicultura marinha do País

Aqualíder/fotos google imagem-divulgação


O consumo e a comercialização de pescados, seja no âmbito interno ou para exportação, vai ganhar um novo impulso a partir de Pernambuco. A Aqualider (foto), empresa com capital 100% pernambucano e que já atua no ramo da carcinicultura há mais de 10 anos, irá investir R$ 5 milhões com recursos próprios na primeira etapa do “Projeto Beijupirá”. O projeto visa a produção de 10 mil toneladas anuais de beijupirá (Rachycentron canadum) a partir de 48 tanques-redes localizados em mar aberto a uma distância de 11 quilômetros da costa. Este volume é aproximadamente dez vezes maior que todo o volume da espécie que é pescado anualmente ao longo da costa brasileira e duas vezes mais que o maior produtor mundial deste peixe em cativeiro: Taiwan.

A primeira etapa será iniciada em outubro com a instalação de três tanques-redes e durará aproximadamente 10 meses, quando os peixes deverão atingir cerca de 5kg. Esta etapa é necessária à avaliação e estudos pioneiros no Brasil, sobre a melhor forma do cultivo deste peixe nas águas pernambucanas. A produção nesta etapa será de aproximadamente 200 toneladas. A segunda e terceira etapas do projeto, que envolve a instalação dos demais 45 tanques-redes, deverá ser implantada durante os anos de 2009 e 2010.

O beijupirá aparece pouco nos supermercados e na mesa dos brasileiros porque é um peixe de hábito solitário e, conseqüentemente de baixo registro de captura pela pesca extrativa industrial e artesanal. No entanto, esta realidade está para mudar com o empreendimento e produção da Aqualider. O Beijupirá é considerado um peixe nobre, de carne branca semi-transparente e filé alto, com textura tenra e gosto suave, de forte apelo aos restaurantes de primeira linha e de culinária oriental. Outro apelo é o frescor oferecido pelo produto cultivado versus àquele oriundo da pesca que passa dias no gelo das embarcações antes de ser trazido aos beneficiamentos e transportado aos centros de consumo.

O projeto de produção do beijupirá em cativeiro da Aqualider envolve uma estrutura 100% verticalizada, onde a empresa terá total controle sobre a reprodução, alevinagem, ração, engorda, beneficiamento e comercialização do peixe. Esta verticalização propiciará rastreabilidde, controle de qualidade e segurança alimentar ao consumidor final. Esses pré-requisitos são considerados fundamentais para o posicionamento do beijupirá – que será negociado na forma inteiro, fresco e eviscerado, ou em forma de filés porcionados e congelados - no mercado interno e externo.

De acordo com oceanógrafo e gerente do projeto, Santiago Hamilton, os mercados internacionais potencialmente visados pela Aqualider estão localizados junto a redes atacadistas e supermercadistas da Europa e da América do Norte. A expectativa é que entre 80% e 90% do beijupirá cultivado em mar aberto seja comercializado sob forma de filés congelado.

Com a infra-estrutura aérea hoje existente no Estado, a Aqualider está apta a colocar o seu produto fresco em qualquer lugar do mundo em um prazo máximo de 36 horas a partir da despesca. A logística interna de produtos frescos ou congelados será feita mediante o uso de caminhões. O filé congelado será distribuído por via marítima saindo de Suape. O preço médio de comercialização do quilo de beijupirá oriundo da pesca, nos supermercados nacionais está girando entre R$ 15,00 e R$ 20,00.

A expectativa quanto à aceitação e potencial de mercado interno é bastante positiva pela demanda por peixes marinhos de carne branca e filé alto. Corroborando, o consumo de pescados no Brasil ainda é muito pequeno, cerca de 7 kg/ano por habitante, bem abaixo dos 12 kg/ano por habitante sugerido pela Organização Mundial de Saúde. O Brasil registra menor consumo por habitante que a Nigéria, Uruguai, Argentina, Angola, Chile e Vietnam, dentre outros países. No Brasil, o maior consumo está localizado na Região Norte do País, onde este índice chega a 44 kg anuais. Em Pernambuco, porém, este volume é de apenas 4 kg por ano.

Pesca de beijupirá
EstadoVolume anual
Brasil (total)1.160 kg
Pará724 t.
Ceará346 t.
Pernambuco500 kg (0,5 t.)
Projeto Beijupirá *4 mil t.

Fonte: Seap/2005 e Aqualider
*Estimado para período de plena operação

Projeto pioneiro com sustentabilidade ambiental


O “Projeto Beijupirá”, que será implantado ainda em 2008 na costa pernambucana, é pioneiro no gênero no Brasil e está credenciado para se tornar modelo em desenvolvimento sustentável no que diz respeito à piscicultura marinha. Desenvolvido pela pernambucana Aqualider, o projeto possui todo o licenciamento ambiental, anuência da Marinha do Brasil e cessão de águas de domínio da União pela Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (SEAP/PR), sendo a primeira fazenda de aqüicultura a receber este tipo de outorga para operar em águas brasileiras.
Os 48 tanques-redes serão instalados a cerca de 11 quilômetros da costa, em mar aberto, na plataforma continental do Estado de Pernambuco, em águas pertencentes à União. A concessão para o uso de uma área total de 169 hectares (1,69 km2) foi assinada em meados deste mês. Para isso, a empresa pagará à União uma taxa anual de cerca de R$ 60 mil. Toda a área será sinalizada e demarcada de acordo com normas da Marinha do Brasil. O reforço quanto à localização do projeto também constará dos avisos aos navegantes emitidos pela autoridade marítima brasileira e das próximas edições das cartas náuticas, de modo a minimizar o risco à navegação e ao empreendimento.
O local para sediar o primeiro projeto de piscicultura marinha em alto-mar do País foi escolhido sob critérios rígidos, considerando-se: distanciamento das rotas habituais de cabotagem e de navegação internacional, das áreas de formação rochosa, coralínea ou fundo de lama, tradicionalmente utilizadas pela pesca artesanal, dos naufrágios utilizados pelo mergulho recreativo, bem como distanciamento da costa para evitar impacto visual.
A produção em escala comercial do beijupirá em cativeiro também vai aliviar a pressão sobre os estoques naturais. Embora não esteja ameaçado de extinção, o beijupirá é um dos peixes mais raros da costa nordestina. O Programa de Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva (REVIZEE) indicou uma incidência de 0,1%. Ou seja, de cada 1000 peixes coletados no levantamento apenas 1 era beijupirá.
Além disso, em função das correntes marinhas e do volume de água do oceano, o risco de eutrofização do corpo d’água é mínimo. Apesar disto, o projeto realizará o monitoramento e controle de eventuais impactos ambientais, bem como o desenvolvimento de pesquisas referentes ao cultivo do beijupirá e de outras espécies, visando o desenvolvimento sustentável da aqüicultura em águas do litoral nordestino.

Da Assessoria de Imprensa/ExclusivaBR