Cresce paixão pelo Jazz em Pernambuco

Foto/Davrichewy


Pernambuco é um Estado que sempre aceitou e assimilou música criativa e livre de amarras. A sempre boa resposta de público na etapa recifense do Jazz Festival Brasil, o maior festival de jazz do país que dedica sua programação ao jazz “de raiz” das décadas de 20 a 50, é prova disto. Esta nova passagem do festival por aqui, que ocorre nos dias 11, 12 e 13 de setembro, no Teatro Santa Isabel, traz ao palco nomes como Leroy Jones, Judy Carmichael Septet, Chris Flory e David Braid Sextet.
Um dos gêneros musicais mais livres e fincado no inconsciente coletivo do pernambucano, o estilo oferece ao músico a oportunidade para a improvisação e a música popular pernambucana está familiarizada com esse espírito há muito tempo. Nos anos 30, o saxofonista e flautista Felinho (Félix Lins de Albuquerque, 1895-1980) era reconhecido pelos improvisos que fazia em meio aos frevos que tocava. Sua performance na música “Vassourinhas”, hino do carnaval Pernambuco composto pelo maestro Nelson Ferreira, outro grande inovador da música pernambucana, redefiniu a maneira de se tocar frevo. Tanto Felinho, como Ferreira, receberam muitas críticas dos puristas da época, mas eternizaram a espontaneidade jazzística no imaginário do povo deste Estado.
O fato é que a crescente paixão tem promovido a ampliação de oportunidades para os amantes do ritmo. Em fevereiro, um carnaval diferente move o interior do Estado com o Garanhuns Jazz Festival, que delicia os espectadores pelas ruas e parques da cidade. A paixão local pelo ritmo também poderá ser saciada em novembro, quando o Estado recebe o II Festival Internacional de Jazz e Blues de Porto de Galinhas – Jazzporto 2008. O evento, que acontece entre 26 e 29 de novembro no balneário mais badalado do País irá homenagear Tom Jobim e os 50 anos da Bossa Nova. Na programação, que acontecerá na praça principal de Porto, João Donato, Leny Andrade e Dizie Square Jazz Band.
A ampliação do número de festivais reflete uma demanda do público. De acordo com Léo Barbosa, da Engenho Comunicação & Marketing, organizador da etapa local do Jazz Festival Brasil, a expectativa é repetir a ocupação total do Teatro Santa Isabel, assim como nas edições 2006 e 2007. “A qualidade das atrações garantiu a casa lotada durante os três dias de festival nas edições anteriores e acreditamos que o fato vai se repetir em 2008”, analisa.
Atualmente, não são raros os músicos pernambucanos influenciados, direta ou indiretamente, pela liberdade artística proporcionada pelo jazz. Nos últimos cinco anos, uma nova safra de bandas instrumentais vem fazendo, cada uma ao seu modo, um som com fortes referências regionais, mas recheado de contornos inegavelmente jazzísticos. Duas das que mais se destacam são a Rivotrill, que vem colhendo frutos fora do Estado com sua música que mistura percussão, flauta, baixo e demais experimentações com pegada e muita criatividade, e a Treminhão, que possui uma abordagem mais tradicional da música instrumental, mas não menos cheia de improvisação.
Outro artista que merece um capítulo à parte é o Maestro Spok e a nova roupagem do frevo. Spok eleva as inovações de Maestro Nelson Ferreira e de Felinho a um outro patamar, dando espaço para que todos os músicos da sua Spok Frevo Orquestra improvisem livremente em cima de suas composições e de temas clássicos do carnaval pernambucano.
É bom lembrar também que Pernambuco sempre foi um celeiro de bons músicos na seara do Jazz de raiz. Grupos como Contrabanda e Uptown Blues Band possuem integrantes experientes no cenário musical recifense, que lecionaram ou ainda lecionam no Conversatório Pernambucano de Música, como o saxofonista Edson Rodrigues e o guitarrista Nilton Rangel (Contrabanda), ou que também são atuantes no campo da produção musical, como o baterista e organizador de festivais, Giovanni Papáleo (Uptown): “Em Pernambuco, temos grandes músicos do gênero. Recife sempre teve uma grande tradição na escola dos metais, com artistas de peso, como o mestre do saxofone, Maestro Edson Rodrigues, e um valor que desponta na área, o trompetista Fábio Costa”, diz ele.
Preconceito e Redenção - Mesmo tido como um tipo de música elitista e de difícil assimilação, poucos sabem que, assim como o frevo e outras manifestações músicas de Pernambuco, o Jazz sofreu bastante preconceito. Nascido no sul dos Estados Unidos, no final do século XIX e início do século XX, foi um tipo música criada pelos escravos negros como forma de manter a sua união e identidade diante da opressão dos seus senhores. Era vista como uma “música selvagem” pela elite da época e por volta da década de 30, período que em que alcançou grande popularidade, chegou a ser considerada por Theodor Adorno, filósofo e sociólogo alemão, membro da Escola de Frankfurt e ferrenho crítico da industrialização da cultura, uma "vitória da massificação e do automatismo sobre a atividade artística genuína".
Porém, com o passar dos anos, o Jazz se desenvolveu de tal maneira que ganhou status de arte de alta qualidade, na qual o músico que pretende tocá-la necessita ter técnica apurada e pleno domínio de seu instrumento. Figuras como Miles Davis (responsável pela criação de vários sub-estilos, como o Bebop, o Hard Bop e o Jazz-Fusion), John Coltrane (um dos maiores virtuoses do sax) e Herbie Hancock (que nos anos 70 foi o pioneiro em fazer a ponte com a música eletrônica e o hip-hop), entre tantos outros, foram essenciais neste quesito.
SERVIÇO:

Jazz Festival Brasil

Data: 11 a 13 de setembro

Onde: Teatro de Santa Isabel
Preço: R$ 50,00 e R$ 25,00 (meia entrada)
Atrações:
E.U.A -
Leroy Jones, que já acompanhou Harry Connick Jr e Judy Carmichael Septet, uma das principais intérpretes dos estilos stride e swing.
Suécia - Guinhild Carling and Band recebe no palco o guitarrista americano Chris Flory.
Canadá - David Braid Sextet, que vai revisitar o repertório da Count Basie Orchestra, uma das mais importantes big bands da história do Jazz.
França - Irakli and the Louis Ambassadors, vai prestar um tributo ao trompetista Louis Armstrong.
Da/Assessoria de Imprensa/ExclusivaBR