Inteligência Artificial transforma a medicina mas não substitui o olhar do médico, afirma especialista

Uso da IA na saúde deve ser ético, seguro e sempre supervisionado por profissionais - Foto: divulgação 


A Inteligência Artificial (IA) já faz parte da rotina da medicina, auxiliando na análise de exames, no planejamento de cirurgias, na identificação de padrões e até na previsão de riscos para determinadas doenças. Mas, apesar dos avanços tecnológicos, ela ainda está longe de substituir o médico.

O tema ganhou ainda mais relevância após a Conferência Internacional de Alto Nível "Shaping AI in Health", promovida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Governo de Portugal, realizada nos dias 15 e 16 de julho de 2026, em Lisboa. O encontro reuniu representantes de 37 países para discutir o uso ético, seguro e responsável da Inteligência Artificial nos sistemas de saúde. Entre os consensos, está o de que a tecnologia deve servir como apoio à tomada de decisão clínica, mantendo sempre a supervisão humana.

Para o ortopedista e especialista em HealthTech, Sormane Britto, a IA representa uma das maiores transformações da medicina nas últimas décadas, mas não substitui as competências exclusivamente humanas.

"A Inteligência Artificial consegue processar milhões de informações em poucos segundos, identificar padrões e oferecer suporte ao diagnóstico. Mas ela não examina o paciente, não percebe nuances durante uma consulta nem cria a relação de confiança que existe entre médico e paciente."

Segundo o especialista, na ortopedia a tecnologia já auxilia no planejamento cirúrgico, na reconstrução tridimensional de estruturas ósseas, na análise de exames de imagem e na personalização de próteses e implantes.

"Hoje conseguimos planejar cirurgias com uma precisão muito maior graças à tecnologia. Isso aumenta a segurança e pode melhorar os resultados. Porém, a decisão sobre o melhor tratamento continua sendo médica. A IA é uma ferramenta poderosa, não um substituto."

O médico destaca que outro desafio é combater a falsa sensação de segurança gerada por aplicativos e plataformas de IA, que levam algumas pessoas a acreditarem que podem obter diagnósticos definitivos sem procurar atendimento especializado.

"Receber uma informação produzida por Inteligência Artificial não significa receber um diagnóstico. O contexto clínico, o exame físico, o histórico do paciente e diversos outros fatores só podem ser avaliados por um profissional habilitado. A tecnologia deve aproximar o paciente da medicina, nunca afastá-lo."

De acordo com o Dr. Sormane Britto, o futuro da saúde será marcado pela integração entre inovação tecnológica e conhecimento médico.

"A tendência é que a Inteligência Artificial torne a medicina mais eficiente, personalizada e preventiva. Mas o elemento humano continuará sendo insubstituível, porque cuidar da saúde vai muito além da interpretação de dados." A própria OMS tem defendido que a incorporação da Inteligência Artificial aos sistemas de saúde deve respeitar princípios como transparência, segurança, responsabilidade e supervisão humana, garantindo que as decisões clínicas permaneçam sob responsabilidade dos profissionais de saúde.