Especialistas dos Estados Unidos reforçam debate sobre cuidado integral no 30°CBRA 2026
A reprodução assistida atravessa um momento de avanços científicos, mas também de novos desafios relacionados ao acolhimento, à ética e à individualização do cuidado. É nesse cenário que dois nomes de destaque da medicina reprodutiva dos Estados Unidos virão ao Recife para participar do 30º Congresso Brasileiro de Reprodução Assistida (CBRA 2026), que acontece de 9 a 12 de setembro, no Recife Expo Center, no Cais de Santa Rita.
Entre os convidados está o médico americano Robert Brannigan, urologista especializado em reprodução masculina e cirurgia, atual presidente da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) e professor da Northwestern Feinberg School of Medicine. Reconhecido internacionalmente pela atuação na área de reprodução masculina, ele levará ao congresso uma abordagem que coloca o paciente no centro da assistência.
Também integra a programação Elizabeth Ginsburg, ex-presidente da ASRM e médica dirigente do Programa de Tecnologias de Reprodução Assistida (TRA) do Brigham and Women’s Hospital, em Boston. Educadora na área de tecnologia de reprodução assistida, ela dirige ainda o Comitê de Ética em TRA, responsável pelo estabelecimento de diretrizes éticas para intervenções avançadas de fertilidade.
Ciência e humanização caminham juntas
A presença dos dois especialistas amplia o caráter internacional do CBRA 2026 e contribui para as discussões propostas pelo congresso, que tem como tema central “O Cuidado Integral no Hoje”.
Presidente do evento, a médica Altina Castelo Branco destaca a contribuição de Robert Brannigan para uma das principais discussões do encontro. “Brannigan aprofundará uma pauta importante para a reflexão sobre o tema central do evento, ‘O Cuidado Integral no Hoje’, tendo como foco dos debates os avanços da reprodução assistida”, destaca Altina Castelo Branco.
A proposta é aproximar o desenvolvimento tecnológico de uma assistência cada vez mais atenta às necessidades físicas e emocionais de quem enfrenta um tratamento de infertilidade.
Nesse contexto, Brannigan defende que o cuidado na reprodução assistida não deve se limitar aos procedimentos e às tecnologias disponíveis. Para o especialista, o acolhimento humanizado, a investigação do fator masculino e a preservação precoce da fertilidade precisam fazer parte da jornada do paciente.
O impacto emocional da infertilidade
Além dos aspectos médicos, a experiência da infertilidade pode provocar impactos emocionais significativos. Por isso, o especialista americano chama atenção para a necessidade de uma relação mais próxima entre profissionais e pacientes.
Em suas palestras e videoconferências, Robert Brannigan enfatiza que “a jornada da infertilidade gera forte impacto emocional, exigindo que os profissionais criem conexões reais e facilitem o acesso à informação”.
A afirmação reforça uma perspectiva cada vez mais presente na medicina reprodutiva: oferecer tratamento não significa apenas indicar uma técnica ou procedimento, mas acompanhar o paciente durante uma trajetória que envolve expectativas, decisões complexas e, muitas vezes, grande carga emocional.
O homem também precisa estar no centro da investigação
Outro ponto defendido por Brannigan é a necessidade de ampliar a investigação da infertilidade masculina, mesmo quando o casal já está diante da possibilidade de recorrer à fertilização in vitro (FIV).
Para o médico, a utilização de técnicas de reprodução assistida não deve levar à dispensa da avaliação masculina. A análise do sêmen e a investigação de alterações relacionadas ao material genético dos espermatozoides podem contribuir para decisões clínicas mais precisas. “A análise do sêmen e de fatores como a fragmentação do DNA espermático guiam decisões clínicas mais seguras”, pontua o especialista americano.
Com a participação de nomes como Robert Brannigan e Elizabeth Ginsburg, o CBRA 2026 amplia o diálogo entre ciência, inovação e ética, ao mesmo tempo em que coloca em evidência uma questão essencial para o futuro da reprodução assistida: avançar tecnologicamente sem perder de vista as pessoas que estão no centro de todo o processo.