Fruticultura do Nordeste acelera uso de biológicos para atender exigências de exportação
As exigências internacionais por frutas com menor presença de resíduos químicos estão acelerando uma mudança estrutural nas lavouras do Nordeste. No Vale do São Francisco, entre Bahia e Pernambuco, e no Rio Grande do Norte, dois dos principais polos brasileiros de fruticultura exportadora, produtores têm ampliado o uso de defensivos biológicos como estratégia para atender compradores mais rigorosos, reduzir riscos de inconformidade e manter espaço em mercados como Europa e Ásia.
A pressão não vem apenas das regras oficiais de importação. Redes varejistas, distribuidores e consumidores têm elevado os padrões de segurança dos alimentos, rastreabilidade e sustentabilidade. Em alguns mercados, essa demanda é tratada comercialmente como “resíduo zero”, ainda que, do ponto de vista regulatório, cada país trabalhe com Limites Máximos de Resíduos (LMR), listas de moléculas permitidas e critérios próprios de fiscalização.
A adoção acelerada reflete o peso econômico dessas culturas para o país. Segundo a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), as exportações brasileiras de frutas alcançaram US$ 1,45 bilhão em 2025, um novo recorde para o setor. No período, as vendas externas de melão somaram US$ 231 milhões e as de uva atingiram US$ 158 milhões.
Para sustentar esse avanço, o campo tem recorrido à biotecnologia. Dados recentes da CropLife Brasil apontam que o mercado de bioinsumos movimentou cerca de R$ 6,2 bilhões no Brasil em 2025, com área tratada de 194 milhões de hectares. O movimento também acompanha a expansão regulatória do setor. No mesmo ano, o Ministério da Agricultura e Pecuária registrou 162 produtos classificados como bioinsumos, o maior número da série histórica.
Segundo Jamerson da Silva e Silva, Especialista de Desenvolvimento de Mercado da Vittia na região Nordeste, o desafio da fruticultura exportadora não está necessariamente em tarifas comerciais, mas em uma camada cada vez mais rigorosa de exigências fitossanitárias, ambientais e de rastreabilidade.
“Hoje, o importador asiático ou europeu acompanha o histórico de manejo e monitora resíduos de moléculas químicas com alto nível de controle. O que antes era apenas uma redução gradual dos limites aceitos passou a ser uma pressão crescente por frutas com resíduos cada vez menores. Nesse cenário, os biológicos entram como ferramenta estratégica, pois ajudam a manter a eficiência no campo e reduzem o risco de inconformidades em cargas destinadas à exportação”, afirma o engenheiro agrônomo.
Na fruticultura exportadora, a adoção desses produtos tem relação direta com a competitividade. Diferentemente das commodities de larga escala, frutas frescas são altamente sensíveis a exigências de aparência, qualidade, segurança alimentar e vida de prateleira. Um problema de resíduo ou inconformidade pode comprometer não apenas uma carga, mas contratos comerciais e a reputação do produtor junto a importadores.
Na prática, os defensivos biológicos passam a ocupar papel estratégico nos programas de manejo integrado. A tecnologia contribui para reduzir a dependência exclusiva de moléculas químicas, apoiar o manejo de resistência de pragas e doenças e diminuir o risco de resíduos em fases sensíveis da produção, especialmente nas janelas próximas à colheita.
Para chancelar essa segurança ao mercado internacional, produtores e exportadores também têm buscado insumos com certificações reconhecidas, como o selo IBD, utilizado pela Vittia em defensivos biológicos. Na prática comercial, a certificação ajuda a compor programas de manejo mais aderentes a protocolos internacionais de conformidade, rastreabilidade, sustentabilidade e boas práticas agrícolas, critérios cada vez mais avaliados por compradores globais.
A Vittia atua nesse mercado com defensivos biológicos certificados voltados ao controle de pragas e doenças em diferentes culturas. Segundo a companhia, essas soluções contribuem para produtores que precisam conciliar eficiência agronômica, conformidade com mercados internacionais e menor impacto sobre o agroecossistema.
O Vale do São Francisco ilustra a relevância dessa transformação. A região é referência nacional na produção de frutas irrigadas, especialmente uvas e mangas, com forte presença nas exportações brasileiras. Já o Rio Grande do Norte está entre os protagonistas nacionais no mercado de melão, cultura com elevada exigência de padronização, qualidade e conformidade para acesso ao comércio exterior. Para os exportadores, a adoção de defensivos biológicos certificados deixou de ser apenas uma escolha ambiental e passou a integrar a estratégia comercial.
“Os biológicos ajudam a construir programas de manejo mais seguros e sustentáveis. Além de reduzirem riscos de contaminação ambiental, contribuem para manter uma microbiota mais diversa e bioativa no solo, ajuda no manejo de resistência dos patógenos a produtos químicos, o que é especialmente importante em sistemas intensivos de produção”, explica Jamerson.
Sobre a Vittia
A Vittia (BVMF:VITT3) é referência brasileira em soluções para defesa e nutrição de plantas, levando produtividade, rentabilidade e sustentabilidade para o agronegócio brasileiro. A Companhia tem em suas raízes a base sólida para impulsionar a inovação no campo, unindo tradição e tecnologia de ponta em um portfólio completo. Com a maior fábrica de produtos biológicos da América Latina e outras cinco unidades no estado de São Paulo, a Vittia desenvolve biotecnologias essenciais para o aprimoramento do balanço socioambiental da agricultura.