OAB quer solução para corpo de travesti morto em Milão

                        Jayme Asfora/Foto Ricardo Almôedo

 

A Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Pernambuco (OAB-PE) e a Comissão de Direitos Humanos do Conselho Federal da OAB manifestaram hoje (09) a sua preocupação com a desatenção com a qual vem sendo tratado o caso do pernambucano Diego Augusto dos Santos Costa, encontrado morto em uma cela do Centro de Acolhimento para Estrangeiros de Milão, na Itália, no dia 25 de dezembro do ano passado. Ontem, a mãe do rapaz foi informada que ele será enterrado na Itália mesmo, uma vez que nem a família e nem o governo brasileiro se responsabilizaram pelo traslado do corpo.

 

"Fui informada ontem (terça-feira), pelo Itamaraty, que o corpo será enterrado nesta quinta-feira (10.06) porque não há mais condições de esperar. Durante todo esse tempo, buscamos uma solução para o traslado porque não temos condições financeiras de arcar com esse custo. Agora, não sabemos se ele será enterrado como indigente", explicou a mãe de Diego, Audilene Alves. O presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, acredita, no entanto, que é possível reverter essa situação e garantir que o enterro aconteça no Recife, onde vive a família.

 

Desde que foram informados do caso, Henrique Mariano e o presidente da Comissão Nacional de Direitos Humanos, Jayme Asfora, vêm buscando junto ao governo brasileiro uma solução para evitar que o corpo seja enterrado na Itália. "Buscamos o Ministério das Relações Exteriores e a Secretaria Nacional de Direitos Humanos. Mas não obtivemos sucesso. Agora, ficamos sabendo que o enterro será feito na próxima quinta-feira", explicou Asfora.

 

HISTÓRIA – Diego morava na Itália há três anos, onde sobrevivia da prostituição. No dia 18 de dezembro, ele foi detido pela polícia italiana e encaminhado para o Centro de Acolhimento, onde, supostamente, teria se enforcado no dia de Natal. Os familiares no Recife não acreditam nessa hipótese de suicídio e exigem também uma apuração rigorosa do caso. Segundo a família, ele foi embora a convite de uma aliciadora que conheceu numa das boates do Recife, onde dançava como drag queen sem o conhecimento dos pais.

 

"Esse é mais um caso de aliciamento e tráfico internacional de pessoas. Por isso, acreditamos que o dever do Estado brasileiro seria o de arcar com as despesas. Até porque é um direito da família lhe garantir um enterro digno. Esperamos das autoridades que, até amanhã, resolvam a questão e garantam que o traslado será realizado", conclui Asfora.

 

Da Assessoria de Imprensa da OAB/PE (81)3225.0379