Cine Chinelo No PE chega à 7ª edição

Cine Chinelo/Foto Josivan Rodrigues
Desglamourizar para democratizar. Essa é a principal proposta do Cine Chinelo NoPE, que chega à sua sétima edição nos próximos dias 27 e 28 de agosto, na Rua da Moeda, Bairro do Recife. A novidade da próxima mostra é que serão dois dias de realização. "Desde a primeira edição, há três anos e meio, percebemos a necessidade de mais tempo de sessão, porque recebíamos mais filmes do que tempo de programação", afirma o produtor da mostra, GÊ Carvalho.
Curiosos, cinéfilos, agitadores e realizadores estão convidados a participar do Cine Chinelo NoPE, que abre espaço para quem quiser levar seus filmes em DVD, de até 20 minutos, entre 18h e 20h, ou até fechar os 150 minutos de exibição. Enquanto os vídeos são entregues rola a "sessão" de PC DJ - um computador que escolhe musicas. Os curtas farão parte da Sessão Caldo-de-Cana - ao estilo 'é na rua, sai na hora e dá para todo mundo' - onde os realizadores podem incluir seus trabalhos na programação. A partir das 23h terão apresentações das bandas Chambaril (27) e Treminhão (28). E, enquanto as bandas tocam, rolam projeções de VJ´s convidados, e daqueles que quiserem levar suas imagens, de até 20 minutos.
O festival conta com a participação do público em todos os momentos da mostra. Durante toda a programação do Cine Chinelo, uma câmera vai estar disponível para que o público tenha minutos de imagem a serem captados pelas pessoas, chamado Livre Registro. "É um produto desenvolvido pelo Cine Chinelo e construído coletivamente, que 'fala' em imagens, a visão da mostra sob suas próprias óticas. É a construção democrática de um documento audiovisual". O material coletado será disponibilizado na internet e exibido na próxima edição do Cine Chinelo.
Durante o evento, o público também é estimulado à reflexão sobre a natureza experimental e revolucionária no conteúdo das obras, através da Bula Cinematográfica. "É uma forma de incitar a característica filosófica dentro do audiovisual. O Cine Chinelo tem esse elemento cineclubista. Não é discussão sobre filmes, mas sobre cinema. Em seu abanhado, a Bula Cinematográfica tem a pretensão de provocar os realizadores no que compete ao conteúdo de suas obras". Os presentes receberão informativos com uma mistura de fragmentos do livro A Imagem-Tempo, de Gilles Deleuze (Editora Brasiliense, coleção Cinema II), com textos de Gê Carvalho. "Todo esse estímulo do desenvolvimento do pensamento, contribui para a discussão e formação, sobre a definição da identidade do cinema brasileiro, que há anos tentam enquadrar, mas não se consegue. Simplesmente, porque a identidade do cinema brasileiro é a diversidade", opina o produtor.
Ao que interessa, a programação dos filmes não existe. "O formato do Cine Chinelo tem essa proposta de resgatar a antiga postura do público em relação ao cinema. Todos iam às sessões para, só na hora, ver o que iria passar. Isso inclui coisas boas e ruins, como acontece, o que também faz parte da democracia. Esse é o espírito de quem vai ao Cine Chinelo, chegar lá para ver qual é". Quem comparecer, verá.
Em comemoração à edição do Cine Chinelo com dois dias, o universo, com todo o seu charme, vai disponibilizar, praticamente, duas luas aos presentes na Rua da Moeda no dia 27. Marte vai estar mais próximo da Terra (34,65 milhões de milhas de distância), com isso, ficará mais brilhante e bem maior do que o normal, no mesmo dia em que teremos lua cheia. O fenômeno, que está sendo chamado de Duas Luas, pode ser visto às 00h30. Aos que não forem, esperem para ver o acontecimento em outra edição do Cine Chinelo, no ano de 2287.
O Cine Chinelo tem o apoio de João, o proprietário do Bar do Manuel (localizado na Rua da Moeda, que disponibiliza as mesas e cadeiras da sala a céu aberto. A mostra conta ainda, com o patrocinado da Fundarpe, através do 1º Edital de Fomento ao Audiovisual de Pernambuco e, mais um apoio na divulgação virtual através do blog SomBarato - www.sombarato.blogspot.com

CINE CHINELO - Desde que foi criado, em 2005, o Cine Chinelo já exibiu produções nacionais e pernambucanas, filmes premiados em Festivais de selo internacional. O objetivo principal da mostra é dar visibilidade a quem faz e oportunizar os consumidores ávidos por cinema, que ainda dispõem de poucos espaços para exibição, tornando difícil o acesso do público às produções de audiovisual independentes. A mostra tem conquistado um espaço importante para canalizar as produções para o público, o que motiva novos realizadores, consequentemente, movimenta o cinema do Estado, dando visibilidade ao circuito não-comercial. O Cine Chinelo é um dos maiores espaços democráticos de divulgação de produções audiovisuais de realizadores consagrados, aventureiros e aspirantes a cineasta.

SERVIÇO:
VII Cine Chinelo no PE
Data: 27 e 28 de agosto
Local: Rua da Moeda, Bairro do Recife
Horário: a partir das 18h

Carta lida por Gê Carvalho/Foto Isabella Valle

PE avança na maior movimentação de fomento ao cinema independente


No I Encontro de Cineclubes de Pernambuco, realizado entre os últimos dias 14 e 16 de julho, promovido pela Fundarpe, durante 1º Festival de Cinema de Triunfo, nasceu a Federação Pernambucana de Cineclubes. Gê Carvalho (Coordenador do Cineclube Amoeda DIgital) foi sugerido e eleito, presidente da FPC. Na ocasião, o então presidente entregou a Carta de Triunfo dos Cineclubes Pernambucanos ao governador do Estado, Eduardo Campos, na cerimônia de encerramento do Festival. Além de legitimar e consolidar a FPC, a carta - que funciona como um regimento interno - lista ainda, as primeiras propostas da Federação, entre elas, a criação do Circuito Pernambucano Contínuo de Cinema Nacional, e a inclusão de ações de fomento à atividade cineclubista no Edital do Audiovisual de Pernambuco.

Entre as ações a serem desenvolvidas pela Federação está ainda a criação do acervo, que será disponibilizado para todos os cineclubes do Estado cadastrados na FPC. "A Federação tem o objetivo de reunir e escoar as produções catalogadas para todos os cineclubes. Além disso, vamos firmar parcerias com eventos e festivais incluídos no calendário cultural do Estado, como a Mostra de Fotografia do Recife, para que os trabalhos apresentados nesses festivais também sejam incluídos no catálogo da Federação", explicou Gê Carvalho.

Fomentar a produção local e a circulação desses trabalhos são as principais propostas da Federação, que também prevê a distribuição de material didático, como modelo de regulamentação interna, sugestões de sessões, orientações de projetos e captação de recursos para cineclubes que já estão em atividade, e para aqueles que ainda estão em processo de formação. "A idéia é que até o final do ano surjam, pelo menos, mais oito cineclubes no Estado, principalmente no Interior. E quem procurar a Federação para planejamento estratégico de funcionamento do cineclube será instruído, mas a curadoria dos cineclubes não podem funcionar de forma a depender da Federação para se manter em atividade", frisa.

O produtor e presidente da FPC garante ainda: "A parceria entre a Federação e o Cine Chinelo NoPE vai dar um gás nesse início das atividades da FPC. Vamos receber os filmes para a Sessão Caldo-de-Cana que já passarão a fazer parte do acervo da Federação, e, posteriormente, da programação dos cineclubes cadastrados".

Da Assessoria de Imprensa/Joana Perrusi